segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Contos nórdicos e a música

 

 

Com a cristianização dos países nórdicos – Dinamarca, Noruega, Suécia e Islândia, as antigas religiões e mitologias foram sucessivamente substituídas e esquecidas. A exceção foi a Islândia, onde a nova religião substituiu a antiga, mas continuou todavia a ver a velha mitologia nórdica como uma herança cultural, transmitida oralmente e preservada em peças escritas. Escrevi sobre isso no post”A narrativa das Edas”.
A maior parte desta mitologia foi passada adiante oralmente, sendo que grande parte dela foi perdida. E muitas dessas histórias eram contadas em conjunto com a música. A música é um elementos muito importante para histórias.

WAGNER E O ANEL
Richard Wagner também foi influenciado pela mitologia nórdica nos seus temas literários, compondo as quatro óperas que compreendem Der Ring des Nibelungen (O Anel do Nibelungo) : Wagner criou a história do anel ao fundir elementos de diversas histórias e mitos das mitologias germânica e escandinava. Os Eddas forneceram material para Das Rheingold, enquanto Die Walküre é amplamente baseada na Saga dos Volsungos. Siegfried contém elementos dos Eddas, da Saga dos Volsungos e da Saga Thidreks. A ópera final, Götterdämmerung, é baseada no poema do século XII Nibelungenlied, que foi a inspiração original para o Anel.
Ao agregar tais fontes numa história concisa, Wagner também acrescentou diversos conceitos modernos. Um dos principais temas do ciclo é a luta do amor, o que está associado à natureza, e liberdade, contra o poder, o que está associado à civilização e à lei. Logo na primeira cena, o anão Alberich define o tema ao renunciar ao amor, um ato que lhe permite adquirir o poder de dominar o mundo ao forjar o anel mágico. Na última cena da primeira ópera o anel é tirado do anão, então ele o amaldiçoa.

 

                               Domínio público
File:Bühnenbildentwurf Rheingold.JPG

 


OBRAS MUSICAIS
Wagner escreveu o libreto e a música por cerca de vinte e seis anos, de 1848 a 1874. Entretanto, ele não se dedicou exclusivamente a isso durante esse período. Os dramas musicais que compõem o ciclo do anel são, em ordem cronológica do enredo: Das Rheingold (O Ouro do Reno), Die Walküre (A Valquíria), Siegfried e Götterdämmerung (O Crepúsculo dos Deuses). Apesar delas serem apresentadas como obras individuais, a intenção de Wagner era apresentá-las em série.
O centro da história é o anel mágico forjado pelo anão Alberich, o nibelungo do título, a partir do ouro roubado do rio Reno quando as donzelas do Reno se distraíram. Diversas personagens míticas lutam pela posse do objeto, incluindo Wotan, o chefe dos deuses. Os acontecimentos são bastante influenciados pelos planos dele, que leva gerações para superar as próprias limitações.

A HISTÓRIA
A valquíria Brunilda, a mais querida das nove pelo pai Wotan, é o tema da segunda ópera. Como as irmãs, é encarregada de levar para o Valhala as almas dos guerreiros mortos. Ela hesita em obedecer ao pai, separando os irmãos-amantes que são filhos do Walsung, o próprio Wotan em forma de lobo. A morte de Sigmundo é exigência da deusa da fidelidade conjugal, Fricka. A criança que nascerá da união ilegal é Siegfried. O castigo de Brunilda é dormir cercada por um círculo de fogo, até que alguém que não tenha medo venha resgatá-la.

Em Siegfried, o filho de Siegmund e Sieglinde já é um jovem, que foi criado pelo anão Mime. Em Götterdämmerung, depois das cenas das nornas, que perdem a capacidade de ver o destino, Sigurdo se despede de Brunilda para partir a novas aventuras. 

 

 
 
 Brunilda descobre ter sido traída pelo próprio Sigurdo, embora não saiba a razão, e o acusa em público. Ela revela a Hagen como assassiná-lo – pelas costas. Depois de uma longa marcha fúnebre, chega-se à cena final da obra: Hagen mata Guntário para ficar com o anel, mas a mão do cadáver de Sigurdo impede que ele lhe seja tirado. Brunilda, na longa cena de imolação, faz com que o ouro e o anel sejam devolvidos às Filhas do Reno e ela mesma se imola, bem como aos deuses e a Valhala, na purificação final pelo fogo. Hagen morre afogado no Reno, tentando recuperar o anel.
 
 
 
 
Referências:
Edda em Prosa, Snorri Sturluson (Editora Barbudânia)
http://www.wagnermania.com/

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