
Com a cristianização dos países nórdicos – Dinamarca, Noruega, Suécia
e Islândia, as antigas religiões e mitologias foram sucessivamente
substituídas e esquecidas. A exceção foi a Islândia, onde a nova
religião substituiu a antiga, mas continuou todavia a ver a velha
mitologia nórdica como uma herança cultural, transmitida oralmente e
preservada em peças escritas. Escrevi sobre isso no post”A narrativa das
Edas”.
A maior parte desta mitologia foi passada adiante oralmente,
sendo que grande parte dela foi perdida. E muitas dessas histórias eram
contadas em conjunto com a música. A música é um elementos muito
importante para histórias.
WAGNER E O ANEL
Richard Wagner também foi
influenciado pela mitologia nórdica nos seus temas literários, compondo
as quatro óperas que compreendem Der Ring des Nibelungen (O Anel do
Nibelungo) : Wagner criou a história do anel ao fundir elementos de
diversas histórias e mitos das mitologias germânica e escandinava. Os
Eddas forneceram material para Das Rheingold, enquanto Die Walküre é
amplamente baseada na Saga dos Volsungos. Siegfried contém elementos dos
Eddas, da Saga dos Volsungos e da Saga Thidreks. A ópera final,
Götterdämmerung, é baseada no poema do século XII Nibelungenlied, que
foi a inspiração original para o Anel.
Ao agregar tais fontes numa
história concisa, Wagner também acrescentou diversos conceitos modernos.
Um dos principais temas do ciclo é a luta do amor, o que está associado
à natureza, e liberdade, contra o poder, o que está associado à
civilização e à lei. Logo na primeira cena, o anão Alberich define o
tema ao renunciar ao amor, um ato que lhe permite adquirir o poder de
dominar o mundo ao forjar o anel mágico. Na última cena da primeira
ópera o anel é tirado do anão, então ele o amaldiçoa.
Domínio público
File:Bühnenbildentwurf Rheingold.JPG
OBRAS MUSICAIS
Wagner escreveu o libreto e a
música por cerca de vinte e seis anos, de 1848 a 1874. Entretanto, ele
não se dedicou exclusivamente a isso durante esse período. Os dramas
musicais que compõem o ciclo do anel são, em ordem cronológica do
enredo: Das Rheingold (O Ouro do Reno), Die Walküre (A Valquíria),
Siegfried e Götterdämmerung (O Crepúsculo dos Deuses). Apesar delas
serem apresentadas como obras individuais, a intenção de Wagner era
apresentá-las em série.
O centro da história é o anel mágico forjado
pelo anão Alberich, o nibelungo do título, a partir do ouro roubado do
rio Reno quando as donzelas do Reno se distraíram. Diversas personagens
míticas lutam pela posse do objeto, incluindo Wotan, o chefe dos deuses.
Os acontecimentos são bastante influenciados pelos planos dele, que
leva gerações para superar as próprias limitações.
A HISTÓRIA
A valquíria Brunilda, a mais querida
das nove pelo pai Wotan, é o tema da segunda ópera. Como as irmãs, é
encarregada de levar para o Valhala as almas dos guerreiros mortos. Ela
hesita em obedecer ao pai, separando os irmãos-amantes que são filhos do
Walsung, o próprio Wotan em forma de lobo. A morte de Sigmundo é
exigência da deusa da fidelidade conjugal, Fricka. A criança que nascerá
da união ilegal é Siegfried. O castigo de Brunilda é dormir cercada por
um círculo de fogo, até que alguém que não tenha medo venha resgatá-la.
Em Siegfried, o filho de Siegmund e Sieglinde já é um jovem, que foi criado pelo anão Mime. Em Götterdämmerung, depois das cenas das nornas, que perdem a capacidade de ver o destino, Sigurdo se despede de Brunilda para partir a novas aventuras.
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